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Tome uma decisão, não somente faça escolhas

Sumário

Tome uma decisão, não somente faça escolhas

Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:

"Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?"

Respondeu o diretor:
"Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não."

"Entendi", disse o visitante, "uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher."

"Não", respondeu o diretor, "uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?"

Fonte: Recanto das Letras

A anedota acima, embora bem-humorada, expõe com precisão cirúrgica uma das maiores armadilhas da mente humana: a tendência de nos limitarmos às alternativas que nos foram apresentadas, esquecendo de avaliar o problema real em sua totalidade.

O visitante ouviu as regras do jogo e imediatamente assumiu que sua única tarefa era escolher a melhor ferramenta entre as três disponíveis. Ele comparou capacidades, pesos e eficiências relativas, a colher é muito lenta, o copo é insuficiente, logo, o balde é a escolha "racional". O erro dele não foi de cálculo; foi de submissão ao contexto imposto. Ele esqueceu de perguntar qual era o verdadeiro objetivo: esvaziar a banheira. E, para esvaziar uma banheira, o ralo sempre esteve ali.


Escolher versus Decidir: uma diferença fundamental

No dia a dia, usamos "escolher" e "decidir" como sinônimos. Na prática, representam posturas mentais completamente distintas perante a vida:

  • Fazer uma escolha é um ato passivo ou reativo. Você senta à mesa de um restaurante, abre o cardápio e seleciona um dos pratos listados. Alguém definiu os ingredientes, os preços e as opções. O seu poder limita-se a dizer "A" ou "B" dentro de uma moldura previamente delimitada por terceiros.
  • Tomar uma decisão é um ato de autoria e soberania. Decidir não é apenas pinçar uma alternativa pronta; é analisar a situação, compreender o objetivo central, questionar as premissas e, quando necessário, desenhar uma nova alternativa que ninguém havia colocado na mesa.

Muitas vezes ficamos paralisados aguardando que as opções certas surjam à nossa frente. Quando nos deparamos com dilemas complexos na carreira, nos relacionamentos ou nos projetos pessoais, a primeira reação costuma ser buscar socorro externo: corremos para a internet, devoramos livros ou procuramos conselhos na esperança de que alguém nos entregue a resposta mastigada sobre o que devemos fazer.

Nem sempre é tão fácil assim. Nem sempre haverá a opção correta previamente embalada e pronta para ser escolhida. Em muitos casos, nós precisamos criar as possibilidades.


A armadilha das listas de prós e contras

Um exercício clássico com o qual frequentemente nos deparamos é listar os pontos positivos e negativos de cada alternativa. Desenha-se uma coluna para os prós, outra para os contras, e calcula-se o saldo para tentar encontrar a saída menos dolorosa ou mais vantajosa.

Esse método tem o seu valor: ele organiza o pensamento e reduz a ansiedade inicial. No entanto, ele carrega um perigo invisível: ele só pondera sobre as opções que já estão à mostra.

Se você gastar horas listando os prós e contras da colher, do copo e do balde, o balde sempre vencerá. Mas continuará sendo um desperdício monumental de energia quando comparado a puxar a tampa do ralo.

As opções imediatas são apenas a superfície do problema. A verdadeira solução frequentemente exige o esforço mental de ir além do óbvio: requer imaginação, capacidade de conectar situações análogas vividas no passado e a ousadia de conceber algo que ninguém ao redor pensaria em propor.


Crie suas opções e não se apegue ao óbvio

Não se conformar com as alternativas visíveis exige maturidade e pensamento crítico. Quando estiver diante de uma encruzilhada em que nenhuma das opções parece plenamente satisfatória, faça a si mesmo perguntas diferentes:

  1. Qual é o problema real que estou tentando resolver? (Muitas vezes confundimos a ferramenta com o resultado final desejado).
  2. Quem definiu que estas são as únicas opções existentes? (Desafie as regras implícitas que você mesmo ou o ambiente criaram).
  3. Que caminho alternativo surgiria se eu combinasse ideias ou começasse do zero?

Encontre o seu caminho e avalie as alternativas com base naquilo que se espera realisticamente de cada uma delas. Toda escolha e toda criação carregam riscos, as consequências podem, sim, ser desafiadoras ou negativas. Mas existe uma diferença brutal entre colher os frutos de uma decisão que você deliberadamente tomou e arcar com o prejuízo de escolhas que outros fizeram por você.


O perigo da terceirização: assuma o controle

Esperar que alguém decida por você é tentador porque oferece um álibi psicológico confortável. Se a escolha de outra pessoa der errado, temos alguém para culpar: o chefe que deu a orientação ruim, o amigo que sugeriu o caminho errado, o autor do livro que prometeu uma fórmula mágica, ou as circunstâncias da vida.

Só que terceirizar a decisão nunca elimina a consequência. O impacto recairá sobre você, quer você tenha tomado a decisão, quer tenha se omitido. A omissão é, em si mesma, uma escolha de entregar a própria vida ao acaso.

Não espere alguém para culpar caso algo dê errado. Tenha o controle em suas mãos, sempre que possível.

Assumir as rédeas da própria trajetória dá trabalho e exige coragem para conviver com a incerteza. Mas nada se compara à liberdade de saber que o seu destino está sendo traçado pela sua própria consciência. Errar por decisão própria gera aprendizado real e rápido; acertar por meio de uma decisão autônoma e assertiva proporciona um dos prazeres mais genuínos que o amadurecimento humano pode oferecer.

Tire a tampa do ralo. Pare de apenas escolher entre o que te dão e comece, de fato, a decidir.

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